Expedição na Serra do Aracá revela biodiversidade amazônica
Desde 24 de agosto, 16 cientistas exploram ecossistemas isolados na Serra do Aracá, buscando entender a biodiversidade única da região.

Desde o dia 24 de agosto, uma equipe de 16 cientistas está acampada no topo de um platô na Serra do Aracá, Amazonas, realizando uma expedição científica que investiga a biodiversidade de ecossistemas isolados e pouco conhecidos. Este esforço é considerado uma oportunidade única para coletar e descobrir novas espécies em um local que, até então, não havia sido explorado amplamente.
A entomologista Gabriela Procópio Camacho, por exemplo, utiliza um canivete para abrir frestas em um tronco de árvore caído, onde uma colônia de cupins se encontra. Mesmo que os cupins não sejam o foco de sua pesquisa, ela se dedica a coletar o maior número possível de insetos, que serão enviados ao acervo biológico do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ-USP) para análises futuras. “Essa é uma oportunidade única de coletar. Por isso, quero poder amostrar a maior parte dos insetos que eu conseguir”, afirmou Camacho.
A expedição, que conta com o financiamento da FAPESP e apoio logístico do Exército Brasileiro, tem como principal objetivo mapear a biodiversidade de um ecossistema de altitude, cujas espécies diferem bastante das encontradas nas regiões mais baixas da Amazônia. Os pesquisadores estão coletando amostras de fauna, flora, solo e água, na esperança de descobrir espécies que possam ser exclusivas desta área isolada.
A pressão para coletar o máximo possível de espécimes é evidente desde o embarque da equipe em São Paulo. Luis Fábio Silveira, ornitólogo e diretor do MZ-USP, mencionou: “Quanto mais rápido chegarmos, melhor. Tempo é dinheiro e não podemos desperdiçar uma oportunidade valiosa de coletar a maior quantidade possível de espécies.” O campo-base da equipe está localizado a 1.260 metros de altitude, em um tepui a 220 quilômetros ao norte de Barcelos.
O trabalho, que começou muito antes da chegada ao local, envolveu um planejamento cuidadoso, onde as botânicas Vania Nobuko Yoshikawa e Jenifer de Carvalho Lopes estudaram listas históricas e dados científicos para identificar o que poderiam encontrar. Durante os primeiros dias, elas coletaram mais de 100 espécimes, incluindo plantas do gênero Vellozia e orquídeas do gênero Catasetum, que serão catalogadas e compartilhadas com herbários no Brasil e no exterior.
Fonte: Portal Amazônia