Exploração de petróleo na Foz do Amazonas pode custar R$ 47 bi a mais que energia renovável
Um estudo da WWF-Brasil revela que a exploração de petróleo na Foz do Amazonas pode ser R$ 47 bilhões mais cara do que investimentos em energia renovável.

Um recente estudo da WWF-Brasil analisou a viabilidade econômica da exploração de petróleo na Foz do Amazonas, comparando-a com investimentos em biocombustíveis e fontes de energia renovável. Localizada na Margem Equatorial brasileira, essa bacia é um ponto central nos debates sobre a política energética do país.
A área em questão se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e abriga o Grande Sistema Recifal Amazônico. A argumentação a favor da exploração do petróleo tem sido que isso geraria riqueza imediata para financiar a transição energética futura. Entretanto, o estudo destaca que esta premissa não foi respaldada por dados concretos.
Utilizando a Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB), o estudo adotou uma abordagem que vai além da análise financeira convencional, avaliando também os custos e benefícios para a sociedade, incluindo questões como saúde pública e impactos climáticos. Foram realizadas 10.000 simulações para garantir a robustez dos resultados em diferentes cenários de preços e riscos.
O especialista em Conservação do WWF-Brasil, Ricardo Fujii, enfatiza que a análise revela que a exploração de petróleo apresenta um desempenho econômico e social inferior em comparação às rotas renováveis. Segundo ele, as consequências climáticas e sociais dessa escolha podem resultar em prejuízos bilionários, enquanto as fontes renováveis oferecem benefícios distribuídos e em menor impacto ambiental.
Além disso, a pesquisa aponta que o petróleo da Foz do Amazonas só estaria disponível no mercado em décadas, momento em que a demanda global pode já ter diminuído. Essa situação coloca o Brasil em uma posição arriscada, construindo uma infraestrutura bilionária que pode se tornar obsoleta antes de gerar retorno. O WWF-Brasil, atuando há quase trinta anos na interface entre conservação e políticas públicas, defende que as decisões sobre infraestrutura energética devem priorizar o interesse público.
Fonte: Portal Amazônia