Fungos da Terra podem contaminar Marte, revela estudo científico
Pesquisadores dos EUA e Alemanha identificaram fungos capazes de sobreviver em Marte, levantando preocupações sobre contaminação. O estudo destaca a resistência do Aspergillus calidoustus.

Um estudo recente, publicado na revista Applied and Environmental Microbiology, revelou que certos fungos têm esporos que podem resistir a todas as etapas de uma missão a Marte. Pesquisadores dos Estados Unidos e da Alemanha analisaram essas estruturas reprodutivas e seus resultados trazem à tona questões sobre possíveis contaminações em nosso vizinho planetário.
A pesquisa focou em esporos de 27 espécies de fungos, além de um fungo e uma bactéria já conhecidos por sua resistência à radiação e que foram identificados em espaçonaves. Os cientistas expuseram essas amostras a condições extremas que simulam tanto as viagens espaciais quanto as características da superfície de Marte, onde temperaturas e radiação são bastante severas.
Entre os fungos analisados, o Aspergillus calidoustus se destacou por sua notável resistência. Seus esporos conseguiram suportar altos níveis de radiação e as condições do regolito, que é a camada de poeira e rochas soltas presente no solo marciano. A única combinação que conseguiu eliminá-los foi a de temperaturas extremamente baixas aliadas a níveis elevados de radiação.
Embora a probabilidade de contaminação marciana seja considerada baixa, os pesquisadores enfatizam que os esporos de fungos geralmente recebem menos atenção do que as bactérias durante os processos de descontaminação. Essa falta de foco pode ser preocupante, visto o potencial de sobrevivência e disseminação dos fungos em ambientes alienígenas.
O estudo também aponta que o Aspergillus calidoustus representa um desafio significativo para as diretrizes de proteção planetária. Essas diretrizes visam evitar a contaminação entre a Terra e outros corpos celestes durante as missões espaciais, e a resistência dos fungos levanta questões sobre a eficácia das medidas atualmente em vigor.
Fonte: D24AM