Extrativistas ganham acesso a mapa digital para coleta de castanha-da-amazônia
Grupos extrativistas de Lábrea agora utilizam um aplicativo para localizar castanheiras, aumentando a eficiência na coleta e evitando conflitos de área.

A coleta de castanha-da-amazônia, uma atividade vital para a economia local, agora conta com um importante avanço tecnológico. Dezoito grupos de extrativistas da Fazenda Nova Fronteira, localizada no sul de Lábrea (AM), têm acesso a um mapeamento digital que localiza milhares de castanheiras em trilhas de coleta. Disponível em um aplicativo para celulares, o mapa pode ser utilizado mesmo sem conexão à internet, facilitando a vida dos coletores.
Cada castanheira possui um endereço geográfico único, o que permite aos extrativistas otimizar seus deslocamentos, ampliando a área explorada e monitorando continuamente o castanhal. Essa iniciativa é resultado do uso da tecnologia Netflora, desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Acre, que combina drones e inteligência artificial para identificar árvores em imagens aéreas.
Luciano Ribas, um dos pesquisadores envolvidos, explica que o principal objetivo do mapeamento digital é auxiliar os coletores no planejamento das safras. Com o mapeamento, os extrativistas podem identificar novas árvores próximas às trilhas já conhecidas, permitindo a reorganização de seus percursos e aumentando a eficiência na coleta, especialmente em anos de produção reduzida.
A extrativista Maria Maia comentou sobre a facilidade de uso do aplicativo e como a tecnologia ajudou a definir melhor as divisas das trilhas de coleta. Antes, havia incertezas sobre os limites entre as áreas dos vizinhos, mas agora, com tudo mapeado, os conflitos foram reduzidos, garantindo que cada um saiba até onde pode ir.
O projeto ainda promoveu capacitações em boas práticas de produção, com foco em técnicas de manejo e utilização de equipamentos de proteção. As ações respeitaram as características socioculturais do grupo e incluíram a produção de conteúdos audiovisuais para facilitar o aprendizado. O mapeamento é parte de uma iniciativa mais ampla de geração de créditos de carbono, que busca conservar 52 mil hectares de floresta, mitigando a emissão de milhões de toneladas de CO₂ nos próximos anos.
Fonte: Portal Amazônia