Fungos: Solução Natural para Recuperar Terras e Enfrentar a Crise Climática
Cientistas apostam em fungos micorrízicos para restaurar solos degradados e combater a desertificação, com resultados promissores na Mongólia.

Em Brasília, um grupo de cientistas apresenta uma nova abordagem para restaurar terras degradadas e combater a desertificação e a crise climática, utilizando fungos, organismos invisíveis a olho nu que formam um complexo sistema subterrâneo. A proposta foi discutida pelas pesquisadoras Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren durante um encontro na Embaixada da França em Ulaanbaatar, Mongólia, no âmbito da 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17).
Os fungos micorrízicos são conhecidos por estabelecerem uma simbiose com as raízes das plantas, formando extensas redes no solo. Enquanto recebem carbono das plantas através da fotossíntese, esses fungos ajudam na absorção de água e nutrientes essenciais, como fósforo e nitrogênio, contribuindo ainda para a agregação das partículas do solo, redução da erosão e aumento da resistência das plantas às secas e outros estresses ambientais.
A estratégia proposta pelas pesquisadoras envolve cercar pequenas áreas de pastagem para impedir a entrada de animais e a ação humana temporariamente. Essas áreas protegidas podem servir como refúgios para a biodiversidade subterrânea e, futuramente, como fontes de fungos locais para projetos de restauração, como explicou Toby Kiers, diretora-executiva da Society for the Protection of Underground Networks (SPUN).
Segundo Kiers, essas áreas funcionam como um verdadeiro “banco de sementes” de fungos, criando uma infraestrutura viva subterrânea que mantém o solo coeso. A pesquisa ainda está em fase experimental, sob a liderança de Burenjargal Otgonsuren, que já obteve resultados promissores em seis áreas cercadas, mostrando que a vegetação dentro delas é significativamente mais alta do que a encontrada fora.
As pesquisadoras também ressaltaram a importância de proteger a biodiversidade do solo, afirmando que até 91% das pastagens degradadas na Mongólia poderiam ser recuperadas. Com a descoberta de que cerca de 90% das sequências de DNA fúngico analisadas pertencem a espécies ainda desconhecidas, a conservação dos fungos locais se torna crucial. Toby Kiers enfatiza a necessidade de incorporar os fungos nas políticas de combate à desertificação, pois eles são componentes vitais na monitorização e recuperação de solos.
Fonte: D24AM