Saneamento é essencial para enfrentar os efeitos do El Niño e mudanças climáticas
Estudo revela que o Brasil pode enfrentar racionamento de água até 2050. Universalizar o saneamento e reduzir perdas são fundamentais para mitigar impactos.

Um estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil aponta que a disponibilidade hídrica no Brasil pode sofrer uma redução de 3,4% até o ano de 2050. Diante desse cenário, a universalização do saneamento e a diminuição das perdas de água se mostram como caminhos necessários para minimizar os impactos das mudanças climáticas.
O fenômeno climático El Niño, que deverá retornar com força em 2026, já está intensificando os efeitos nas diversas regiões do Brasil neste segundo semestre. Segundo a pesquisa, o país poderá enfrentar uma média de 12 dias de racionamento de água por ano até 2050, com a possibilidade de ultrapassar 30 dias em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste.
As mudanças climáticas são uma crescente ameaça ao setor de saneamento no Brasil, criando desafios adicionais e aumentando os riscos operacionais dos sistemas de água e esgoto. O estudo intitulado “Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas”, realizado em parceria com a consultoria EX Ante, prevê um aumento nas temperaturas máximas de aproximadamente 1°C e de 0,47°C nas mínimas até 2050.
Esse aumento de temperatura resultará em menos dias de chuva e em um padrão de calor intenso, secas e tempestades, já visíveis durante o atual El Niño. Com a elevação da temperatura, a demanda por água poderá aumentar em 12,4%, exigindo uma produção extra de 2,113 bilhões de m³ por ano, para acompanhar o crescimento populacional e econômico.
A escassez de água afeta de maneira desproporcional as populações em áreas urbanas periféricas e rurais, que já enfrentam dificuldades em acessar serviços de saneamento básico de qualidade. A universalização do saneamento básico se torna, portanto, uma estratégia crucial para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, ao reduzir perdas, tratar esgoto e otimizar o abastecimento de água, promovendo a resiliência das comunidades mais vulneráveis.
Fonte: Portal Amazônia