Greenpeace Brasil denuncia PLG fantasma usada para lavar ouro ilegal na Amazônia
Investigação revela que a Permissão de Lavra Garimpeira da COOGAM é usada para legalizar ouro extraído de forma ilegal na Amazônia, sem atividade garimpeira na área.

O Greenpeace Brasil revelou a existência de mais uma Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) considerada "fantasma", que tem sido utilizada para legitimar o ouro extraído ilegalmente na Amazônia. A PLG 851561/2011, pertencente à Cooperativa dos Garimpeiros da Amazônia (COOGAM), localizada no Alto Tapajós, em Jacareacanga, Pará, declarou a retirada de 4,5 kg de ouro, gerando movimentações financeiras superiores a R$ 2,8 milhões em junho de 2026.
A investigação do Greenpeace, baseada em monitoramento remoto e sobrevoos, constatou que não houve atividade garimpeira na área autorizada. As imagens de satélite e o sobrevoo realizado em 27 de julho mostraram que as cinco dragas licenciadas para extração de ouro não estavam operando dentro dos limites permitidos pela Agência Nacional de Mineração (ANM) e pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (SEMAS/PA).
Durante o sobrevoo, foram identificados os “arrotos de draga”, formações de bancos de areia compostos por sedimentos e rejeitos que resultam da operação das dragas. Essas formações interferem no curso natural do rio Tapajós e podem dificultar a navegação, além de concentrar mercúrio, substância utilizada na extração de ouro, que é nociva ao meio ambiente.
Danicley Aguiar, coordenador da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, destacou a urgência de que a ANM cancele as PLGs fantasmas. “Em junho, identificamos 98 PLGs com irregularidades; agora já são 99. Quantas mais precisamos encontrar?”, questionou Aguiar. Além da PLG em questão, a COOGAM possui outras duas permissões nos limites da Terra Indígena Munduruku, o que gera impactos sociais e ambientais significativos para a população local.
O Greenpeace Brasil também afirma que a outorga da PLG 851561/2011 viola a Constituição Federal, pois a Ilha do Cururu, onde a permissão está localizada, integra a Terra Indígena Munduruku. A análise de dados e a investigação apontam para a necessidade de uma força-tarefa na ANM para cancelar imediatamente as PLGs que estão sendo usadas para legalizar ouro extraído de áreas protegidas. O relatório “Lavagem de ouro na Amazônia: anatomia de uma fraude”, divulgado em junho de 2026, já havia revelado como essas permissões estão sendo manipuladas.
Fonte: Portal Amazônia