Guerra entre EUA e Irã completa sete meses sem solução e com nova tensão diplomática
Guerra entre EUA e Irã completa sete meses sem solução, com tensões no estreito de Ormuz e negociações sem acordo.

A guerra entre Estados Unidos e Irã completa sete meses nesta segunda-feira (28) sem uma solução para o conflito e em meio a uma nova rodada de tensão diplomática. O confronto, iniciado em 28 de fevereiro e que já deixou ao menos 3,4 mil mortos, voltou ao centro das discussões internacionais durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, mas as negociações entre Washington e Teerã continuam sem um acordo.
Nos últimos dias, o estreito de Ormuz se tornou novamente a principal peça das negociações. O Irã apresentou uma proposta para reabrir a passagem estratégica em até sete dias, desde que os Estados Unidos reduzam a pressão militar, suspendam o bloqueio aos portos iranianos e adotem outras medidas.
O presidente americano Donald Trump, porém, rejeitou a proposta no sábado (26), acrescentando que os EUA já tinham “controle total” do estreito, com “enormes quantidades de petróleo” passando pela rota. No domingo (27), o republicano afirmou esperar novas conversas com representantes iranianos nesta semana.
O estreito, por onde passava antes do conflito uma média de cerca de 125 grandes embarcações comerciais por dia, registrou forte redução no tráfego. Dados analisados pela Reuters em setembro apontavam apenas 17 navios de carga atravessando a passagem durante o fim de semana. A paralisação do fluxo marítimo transformou a região em um dos principais pontos de pressão da guerra. A crise afeta o transporte internacional de petróleo e outros produtos, com reflexos sobre os preços da energia e a economia global.
A escalada também aumentou os riscos para a navegação no estreito de Ormuz. Em 21 de setembro, o petroleiro LR Stephanie, de bandeira da Ilha de Man, foi atingido por um projétil não identificado enquanto passava pela região. Dois tripulantes tiveram ferimentos leves. Um dia antes, o navio Al Maryah, de bandeira da Libéria e usado para transportar gás liquefeito de petróleo, também havia sido atingido ao deixar a passagem. Apesar dos incidentes, as duas embarcações conseguiram seguir viagem sem precisar ser rebocadas. O episódio reforçou a preocupação das empresas de navegação com a segurança da passagem.
O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã. A ofensiva atingiu instalações militares e nucleares iranianas e deu início a uma sequência de ataques e retaliações que se espalhou pelo Oriente Médio.
Em resposta à ofensiva, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e contra alvos ligados aos Estados Unidos e a seus aliados. A escalada também atingiu países do Golfo, que passaram a lidar com riscos relacionados à presença de bases militares americanas, à interceptação de projéteis e à possibilidade de ataques contra instalações estratégicas.
A guerra ainda provocou uma grave crise no transporte marítimo. O estreito de Ormuz, entre o Irã e Omã, tornou-se um dos principais focos do confronto por ser uma das rotas mais importantes para o comércio mundial de petróleo. Em junho, Washington e Teerã chegaram a um acordo que previa o fim das hostilidades e a reabertura do estreito. A ONU classificou o entendimento como um passo importante para encerrar o conflito. A trégua, entretanto, não se consolidou. Em julho, novos confrontos no Golfo levaram à retomada das hostilidades.
Na ocasião, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que uma volta à guerra em grande escala poderia provocar consequências graves para a população da região, para a economia mundial e para a segurança internacional. Desde então, o impasse permaneceu. O programa nuclear iraniano, as sanções americanas e a circulação de navios pelo estreito de Ormuz continuam entre os principais pontos de divergência.
Durante o encontro com Trump, em Washington, na última semana, o presidente chinês Xi Jinping tratou da guerra e defendeu que Estados Unidos e Irã retomassem as negociações. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi pediu ainda o retorno ao acordo firmado em junho.
Além dos efeitos militares e econômicos, a guerra provocou consequências graves para a população civil. Ataques atingiram áreas residenciais e infraestrutura, enquanto a interrupção das rotas marítimas também deixou trabalhadores de embarcações presos na região.
Outro problema está relacionado ao abastecimento. A redução do tráfego pelo estreito de Ormuz e pelo Mar Vermelho dificultou o transporte de petróleo, fertilizantes e outros produtos considerados essenciais. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que os bloqueios e as restrições à navegação contribuíram para o aumento dos preços e elevaram a preocupação com a segurança alimentar em diferentes países.
A Organização das Nações Unidas também passou a cobrar maior proteção à população civil e o respeito às normas do direito internacional humanitário.
Fonte: D24AM