Guerra no Irã e os riscos para cabos de fibra óptica essenciais à internet
O conflito entre Irã e EUA ameaça cabos de fibra óptica no estreito de Ormuz, cruciais para a internet global. Especialistas alertam para riscos de danos e interrupções.

O conflito crescente entre o Irã e os Estados Unidos gerou preocupações significativas em relação aos cabos de fibra óptica que cruzam o estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo. O governo iraniano destaca que essa infraestrutura é um ponto vulnerável para a economia digital global, o que pode trazer consequências sérias para a conectividade mundial.
Além de sua importância para o transporte de petróleo, o estreito de Ormuz se configura como um corredor vital para a internet. De acordo com a União Internacional de Telecomunicações (UIT), os cabos submarinos na região são responsáveis por cerca de 99% do tráfego global de dados, sendo fundamentais para a comunicação e o suporte a serviços digitais, incluindo aqueles baseados em nuvem.
A analista geopolítica Masha Kotkin, em entrevista à agência Reuters, alertou que danos a esses cabos podem causar internet mais lenta, interrupções no comércio eletrônico e atrasos em transações financeiras, o que resultaria em impactos econômicos amplos. Com o crescimento da inteligência artificial, a situação se torna ainda mais crítica, especialmente para países como os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, que investem grandes somas em tecnologia e dependem dessa infraestrutura.
Dados do Comitê Internacional de Proteção de Cabos (ICPC) revelam que entre 70% e 80% das falhas em cabos submarinos são causadas por atividades humanas acidentais, como pesca e âncoras de navios. Embora, até o momento, os cabos no estreito de Ormuz não tenham sido danificados, a Reuters adverte sobre o risco indireto de que embarcações em conflito possam atingir acidentalmente essas estruturas ao arrastarem âncoras.
Embora o reparo dos cabos não seja considerado extremamente complicado, especialistas indicam que as decisões das empresas responsáveis pela manutenção e das seguradoras podem ser influenciadas pelo risco de novos danos devido à guerra ou a presença de minas marítimas. Além disso, a necessidade de autorizações para acessar as águas onde os reparos são necessários pode complicar ainda mais o processo.
Fonte: D24AM