Indígenas e Quilombolas Agora Têm Acesso Garantido ao Crédito Rural
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que reconhece indígenas e quilombolas como agricultores familiares, garantindo-lhes acesso ao crédito rural. O texto agora segue para votação no Plenário.

Em Brasília, a Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados tomou uma decisão importante ao aprovar um projeto de lei que reconhece os povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais como agricultores familiares. Essa medida assegura que esses grupos tenham acesso ao crédito rural, assistência técnica, políticas de comercialização e programas de compras governamentais.
O projeto de lei, que agora se torna mais abrangente, foi elaborado pela relatora deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) e é uma versão ampliada da proposta original do deputado Defensor Stélio Dener (União-RR). A relatora apontou que, embora os povos indígenas já estejam incluídos na Lei da Agricultura Familiar, muitos critérios ainda dificultam seu acesso às políticas públicas relacionadas à agricultura.
A deputada Xakriabá enfatizou que a imposição de certas condicionantes tem inviabilizado a classificação desses povos como agricultores familiares para fins de políticas públicas. Ela ressaltou a importância dos sistemas produtivos indígenas, que combinam agricultura, extrativismo, manejo florestal e conservação ambiental, contribuindo assim para a segurança alimentar e a preservação da agrobiodiversidade.
Além disso, o projeto estabelece que uma parte mínima da renda das comunidades deve vir das atividades desenvolvidas por seus empreendimentos, percentual a ser definido pelo governo federal. Essa medida visa garantir a sustentabilidade econômica das comunidades tradicionais.
Agora, o projeto seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Como recebeu pareceres divergentes, a proposta perdeu seu caráter conclusivo e precisará ser votada pelo Plenário da Câmara. Para que se torne lei, o texto deverá ser aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado.
Fonte: D24AM