Indígenas Korubo são avistados em Atalaia do Norte; especialistas alertam
Um grupo da etnia Korubo foi visto navegando em Atalaia do Norte, Amazonas. Especialistas pedem cautela e respeito ao não contato com esses povos.

Recentemente, um grupo de indígenas da etnia Korubo, que teve contato recente com a sociedade, foi flagrado navegando em um rio próximo ao município de Atalaia do Norte, no Amazonas. O avistamento, registrado em vídeo por uma moradora, gerou preocupação entre os habitantes da região, levando especialistas a recomendar que se evitem aproximações para garantir a segurança dos indígenas e respeitar a política brasileira de não contato com povos isolados.
No vídeo, o grupo de indígenas aparece se deslocando em embarcações, enquanto ao fundo se ouvem gritos. A moradora que registrou a cena fez um apelo às autoridades competentes, como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), afirmando: "Autoridade, alguém aí da Funai, não sei, de algum desses órgãos, esses indígenas estão parando no nosso porto. Eles chegam aqui aos gritos... Estamos com medo deles, porque estão agressivos."
A Funai, por sua vez, esclareceu que ainda não há evidências que indiquem risco ou deslocamento anômalo do grupo Korubo que justifique uma mudança nos protocolos de proteção. De acordo com o órgão, os indígenas avistados habitam a região do baixo rio Ituí e do baixo rio Itacoaí e estavam se dirigindo à sede de Atalaia do Norte para visitar parentes, fazendo uma breve parada em uma comunidade ribeirinha para pedir alimentos.
A fundação também explicou o motivo dos gritos mencionados pela moradora, afirmando que tais vocalizações são características socioculturais dos Korubo, que as emitem ao se aproximarem de determinados locais. Embora esses sons possam causar estranheza a quem não está familiarizado com a cultura, eles não representam agressividade. É importante destacar que existem outros grupos Korubo em isolamento voluntário, mas que estão em áreas distantes daquelas mostradas no vídeo.
O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique dos Santos Pereira, reforçou a necessidade de cautela em situações como essa, pedindo à população que evite qualquer interação com os indígenas. Ele lembrou que o princípio de não contato é adotado pelo Brasil para proteger esses povos de doenças e conflitos. A Funai está enviando uma equipe técnica à comunidade para esclarecer a situação e evitar desinformação, enquanto o monitoramento da Terra Indígena Vale do Javari continua a ser realizado em parceria com a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) para proteger as comunidades indígenas da região.
Fonte: Portal Amazônia