Iniciativa visa restaurar 200 hectares de florestas no sudeste do Pará
Projeto busca recuperar áreas degradadas em terras indígenas com foco na restauração ambiental e fortalecimento das comunidades locais.

Uma nova iniciativa está em andamento no sudeste do Pará, com a proposta de restaurar 207 hectares de florestas. O projeto, intitulado Restauração Ecológica de Paisagens: arborescer, memória e sonhos na trilha do Povo Gavião, é uma colaboração entre a Fundação Guamá (FG) e a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
A região sudeste do Pará, marcada por intensos desmatamentos, enfrenta sérios impactos na biodiversidade e na cultura local. O povo Gavião, que habita essas terras, depende da floresta para sua segurança alimentar, saúde e preservação de suas práticas culturais. Segundo Haroldo de Souza, coordenador do projeto, "a restauração ecológica dessas áreas é estratégica para restabelecer funções ecossistêmicas essenciais e fortalecer a resiliência socioambiental".
Com a aprovação na terceira chamada do programa Restaura Amazônia, o projeto se concentrará na Terra Indígena Mãe Maria e na Reserva Indígena Fazenda Mabel. A proposta é alinhar os esforços de restauração com as especificidades socioambientais e a organização social do povo Gavião, promovendo uma gestão participativa que une conhecimentos científicos e tradicionais.
Uma das abordagens do projeto é a capacitação dos indígenas no manejo do fogo e na prevenção de incêndios florestais, uma questão crítica na região, onde as queimadas têm se intensificado. O trabalho está sendo realizado em colaboração direta com as comunidades locais para identificar as espécies de árvores que devem ser reflorestadas, assim como mapear locais sagrados e rotas de animais, promovendo justiça socioambiental e intergeracional.
O projeto, que terá duração de quatro anos, também visa fortalecer a autonomia das comunidades através de práticas sustentáveis, como agroflorestas. A primeira etapa incluiu uma atividade na Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental e Médio Tatakti Kykatêjê, onde alunos e professores participaram de uma roda de conversa com os pesquisadores, destacando a importância do diálogo na construção do projeto.
Fonte: Portal Amazônia