Japão planeja novas regras para o mercado de cartas colecionáveis
O governo japonês discute a regulamentação do mercado de cartas, visando combater fraudes e especulação após um crescimento de 90% nos últimos anos.

O governo do Japão iniciou conversas sobre a criação de regulamentações para o mercado de cartas colecionáveis, um setor que tem visto um crescimento acelerado nos últimos anos. Essa iniciativa busca enfrentar problemas como falsificação, lavagem de dinheiro e especulação, que têm crescido devido à valorização de cartas raras de franquias populares como Pokémon e Yu-Gi-Oh!.
De acordo com o Japan Times, a discussão é liderada por um grupo do Partido Liberal Democrático (PLD), que enfatiza que as cartas colecionáveis transcenderam seu papel como produtos de entretenimento e se tornaram ativos financeiros significativos. O governo destaca que a rápida expansão do mercado trouxe desafios que não podem mais ser ignorados.
Nos últimos quatro anos, o setor registrou um crescimento de aproximadamente 90%, movimentando cerca de 338 bilhões de ienes, ou cerca de R$ 10,49 bilhões. O hobby que antes atraía apenas colecionadores e fãs agora desperta o interesse de investidores que visam a valorização de cartas raras, transformando esses itens em ativos de alto valor.
Um evento marcante que ilustrou esse fenômeno ocorreu em fevereiro, quando uma carta Pikachu Illustrator, de 1998, que pertencia ao youtuber Logan Paul, foi vendida por cerca de US$ 16 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 81,3 milhões. Essa venda estabeleceu um recorde mundial e ressaltou o potencial financeiro do mercado de cartas, chamando a atenção das autoridades japonesas para a necessidade de regulamentação.
Além dos altos valores envolvidos, o governo japonês também está atento ao aumento de crimes relacionados ao setor, como falsificações e roubos. Cartas raras, por serem facilmente transportáveis e de alto valor, tornaram-se alvos de esquemas ilícitos. Parlamentares defendem a implementação de medidas que fortaleçam a propriedade intelectual japonesa, sem comprometer o crescimento da indústria. O grupo responsável pelas discussões planeja consultar fabricantes, lojistas e representantes do setor antes de apresentar propostas oficiais, buscando um equilíbrio entre fiscalização e a preservação desse mercado bilionário.
Fonte: D24AM