Lixo Espacial: Quase 50% da Órbita da Terra é Ocupada por Detritos
Estudo revela que quase metade dos objetos em órbita da Terra é lixo espacial, aumentando o risco de acidentes. Agências espaciais buscam soluções para esse problema crescente.

A órbita terrestre se encontra cada vez mais saturada de objetos inservíveis, que continuam a girar em alta velocidade, elevando assim o risco de acidentes no espaço. Um levantamento realizado pela empresa de engenharia ACCU, com dados da United States Space Force, indicou que quase 50% dos artefatos monitorados ao redor do planeta são considerados lixo espacial.
Atualmente, existem 33.269 objetos rastreados em órbita, dos quais 17.682 são satélites operacionais, enquanto pelo menos 15.587 correspondem a corpos de foguetes descartados e fragmentos não identificados. Isso significa que 47% de todos os itens acompanhados pelos sistemas de rastreamento não têm controle nem função operacional definida.
Além dos números oficiais, especialistas acreditam que o problema do lixo espacial pode ser ainda mais grave. Estima-se que milhões de pequenas partículas, como lascas de tinta e pedaços metálicos, estejam em órbita, representando uma ameaça significativa. Esses detritos, mesmo com tamanhos reduzidos, podem viajar a mais de 27 mil km/h, tornando-se perigosos para espaçonaves e satélites.
A Estação Espacial Internacional já registrou incidentes devido a esses detritos. Em 2016, um fragmento microscópico causou um rasgo de sete milímetros em uma de suas janelas. Recentemente, em 2024, um pequeno fragmento atingiu a estação e deixou uma marca visível, e em 2025, três astronautas chineses enfrentaram dificuldades para retornar à Terra devido a um possível impacto com a cápsula acoplada à estação espacial Tiangong.
O relatório também evidencia que a poluição orbital é uma preocupação crescente, com cerca de sete peças de lixo para cada dez satélites em operação, aumentando o risco de interrupções em serviços essenciais. Desde o lançamento do primeiro satélite, o Sputnik 1, em 1957, a quantidade de resíduos espaciais vem crescendo, impulsionada pela expansão do setor privado e pela diminuição nos custos de lançamentos. Para mitigar esse problema, agências como a Nasa e a Agência Espacial Europeia estão desenvolvendo soluções, incluindo tecnologias para remover detritos e melhorar o design de novas espaçonaves.
Fonte: D24AM