Médico da Prefeitura de Piracicaba prescreve igreja a paciente com paralisia facial
A Prefeitura de Piracicaba vai investigar a conduta de um médico que recomendou religião e autocuidado a um jovem com paralisia facial e dores abdominais.

Em Piracicaba, interior de São Paulo, a Prefeitura anunciou que vai realizar uma análise administrativa sobre a conduta de um médico da rede pública. O profissional recomendou a inclusão de atividades religiosas e autocuidado no receituário de um jovem de 22 anos que buscava atendimento por dores abdominais intensas e paralisia facial.
A receita médica, divulgada nas redes sociais no dia 10 de outubro, sugere que os sintomas do paciente estariam associados a um quadro de ansiedade e depressão. O médico prescreveu o antidepressivo fluoxetina 20mg, juntamente com uma lista de recomendações que incluía alimentação saudável, exercícios, autocuidado, terapia e frequentar a igreja.
O atendimento ocorreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Sônia no dia 8 de outubro. O paciente informou que já estava lidando com as dores e a paralisia facial há mais de um mês, sem um diagnóstico conclusivo. Em uma avaliação anterior, no dia 7, exames indicaram um problema renal, levando o jovem a retornar à unidade no dia seguinte.
De acordo com o relato do jovem, a consulta com o médico foi insatisfatória. Ele afirmou que ao questionar sobre a alteração renal, o profissional desconsiderou suas queixas físicas, afirmando que o problema era psicológico. “Ele olhou para mim e falou que eu não estava com nada, que era ansiedade,” disse o paciente, ressaltando que nunca teve histórico de ansiedade e que não esperava abordagens religiosas durante a consulta.
Após essa experiência negativa, o jovem procurou outro atendimento médico e atualmente está realizando sessões de fisioterapia facial e tratamento com corticoides. A Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba defendeu a conduta do médico, afirmando que a assistência médica não foi substituída pelas orientações dadas e que a menção a atividades religiosas visava oferecer suporte emocional e promover hábitos saudáveis. A secretaria reafirmou seu compromisso com a ética e a laicidade no serviço público, garantindo que não haverá imposição de crenças religiosas nos atendimentos.
Fonte: D24AM