Milho roxo: uma fruta nativa que prospera na Amazônia
O milho roxo, uma fruta tradicional da América do Sul, está se expandindo para a Amazônia, gerando renda para pequenos produtores. A inovação inclui a criação de uma bebida com camu camu.

O milho roxo, uma fruta nativa da América do Sul, tem ganhado destaque na Amazônia, especialmente na região de Ucayali, onde pequenos agricultores estão adotando seu cultivo. Originário das áreas andinas do Peru e da Bolívia, essa fruta também tem sido utilizada para a produção de uma cerveja natural, que combina seu sabor com o do camu camu, outro fruto típico da região.
O Instituto Peruano de Pesquisa da Amazônia (IIAP) tem desempenhado um papel fundamental no incentivo ao cultivo do milho roxo, ajudando os agricultores a gerar renda e diversificar sua alimentação. O pesquisador Carlos Abanto Rodríguez enfatizou que essas inovações são essenciais para fortalecer a economia local, destacando a importância de atender às necessidades dos produtores.
A primeira experiência bem-sucedida de cultivo de milho roxo nas planícies inundáveis da Amazônia surgiu com a agricultora Cleydis Murayari Ihuaraqui, da vila de 7 de Junio, no distrito de Yarinacocha. Em 2022, Cleydis plantou milho roxo, uma cultura raramente utilizada na região, e, após resultados positivos, solicitou mais sementes ao IIAP, que distribui sementes de diversas culturas para promover a segurança alimentar.
O IIAP entregou a Cleydis dez quilos da semente de milho roxo INIA 615 Black Canaan, além de outros quarenta quilos para diferentes agricultores. Essas sementes foram cultivadas em uma área de 2.500 metros quadrados, com a expectativa de que os solos, naturalmente fertilizados pelas cheias, proporcionassem condições ideais para o crescimento.
Após três meses, a colheita revelou-se promissora, com Cleydis colhendo 500 quilos de milho roxo, dos quais 450 quilos foram vendidos a preços entre 4 e 5 soles por quilo. Com o objetivo de agregar valor ao produto, o IIAP desenvolveu uma bebida chamada Camuchicha, que combina 60% de essência de milho roxo com 40% de polpa de camu camu. Essa nova bebida foi bem recebida nas últimas edições da Expo Amazônica e representa uma nova oportunidade de renda para os agricultores locais, que agora têm mais um produto para oferecer ao mercado.
Fonte: Portal Amazônia