Ministro do STF determina investigação da PF sobre interferência nas eleições
O ministro Flávio Dino ordenou a abertura de um inquérito pela PF para investigar a possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras, incluindo financiamento de campanhas.

BRASÍLIA – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que a Polícia Federal (PF) deve abrir um inquérito para investigar a possível interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. A investigação foca especialmente no financiamento oculto de campanhas políticas, um tema que ganhou destaque após uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) proposta pelo PT e o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
Dino tomou essa decisão após avaliar que as informações apresentadas sobre a interferência estrangeira não deveriam ser tratadas dentro da ADPF, mas sim por meio de procedimentos próprios de investigação, sob a supervisão do STF. Em sua análise, o ministro enfatizou que as denúncias recebidas são alarmantes e corroboram as preocupações já levantadas pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência), que em um relatório pré-eleitoral, alertou sobre o incentivo a intervenções de atores externos nas eleições de 2026.
Entre os dados mais relevantes mencionados por Dino, está a atuação dos executivos Tallis Gomes e Pedro Sang em nome da Rockbridge Network, que supostamente buscaram recursos para a campanha de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. Além disso, foram citados casos de conteúdos patrocinados por perfis estrangeiros que promoviam a vitória de Bolsonaro em plataformas de apostas, como a Polymarket, que está bloqueada no Brasil desde 2024.
O ministro também fez referência a uma representação do candidato à Presidência Renan Santos, que trouxe à tona exemplos de anúncios veiculados por perfis localizados no exterior, mas direcionados ao público brasileiro. Dino destacou que essas postagens, sempre em português, seguem um padrão de promoção das eleições brasileiras com uma clara intenção de manipulação.
Por fim, Dino ressaltou a importância de investigar as acusações sobre a exploração de terras raras no Brasil, que poderiam estar atreladas a propostas de interferência no processo eleitoral. O ministro afirmou que é essencial compreender o vínculo entre apoio eleitoral e interesses econômicos de agentes estrangeiros, lembrando que os recursos minerais pertencem à União e sua exploração deve ser autorizada em conformidade com o interesse nacional.
Fonte: Amazonas Atual