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Mosquitos da dengue ovipositam a mais de 10 metros em Manaus, revela estudo

Um estudo em Manaus identificou ovos de Aedes albopictus em altura elevada, indicando riscos de transmissão de dengue em prédios. A pesquisa destaca a necessidade de revisão nas estratégias de controle.

Ana Beatriz Souza3 min de leituraAedes albopictus, dengue, pesquisa
Mosquitos da dengue ovipositam a mais de 10 metros em Manaus, revela estudo
Foto: Foto: Divulgação/Semsa Manaus

Um estudo realizado em Manaus revelou que o mosquito Aedes albopictus, conhecido por transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya, é capaz de depositar seus ovos a mais de 10 metros de altura. A pesquisa, publicada na revista científica “EntomoBrasilis” nesta sexta-feira (9), foi desenvolvida em parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT – HVD), e universidades renomadas como a Federal do Maranhão (UFMA), Federal do Paraná (UFPR) e Estadual de Londrina (UEL).

Durante o estudo, a equipe instalou 30 armadilhas em diferentes andares de uma torre com seis andares em um fragmento florestal urbano de Manaus, para investigar a presença de ovos da espécie. Os pesquisadores encontraram mais de 35 mil ovos ao longo de 10 semanas de monitoramento, que abrangeram as estações seca e chuvosa de 2015. A maior concentração de ovos foi observada até cerca de 4 metros de altura, mas a presença dos ovos foi confirmada em todos os níveis avaliados, chegando a até 10,8 metros do solo.

O pesquisador Adriano Nobre Arcos, do Inpa e um dos autores do estudo, alertou que a colonização de andares superiores pode expor os moradores de apartamentos ao risco de picadas de mosquitos que transmitem doenças. Ele destacou que os prédios oferecem condições favoráveis ao Aedes albopictus, incluindo locais para descanso e recipientes com água, que são propícios para a postura de ovos, além da presença de humanos e animais que servem como fontes de sangue.

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Embora o Aedes albopictus esteja amplamente disseminado pelo Brasil, não há registros de transmissão de dengue por ele no país até o momento. No entanto, Arcos mencionou que já foi identificada uma infecção natural pelo vírus da dengue na espécie, o que levanta preocupações sobre seu potencial para transmitir a doença. Os pesquisadores sugerem que as atuais medidas de controle estão focadas principalmente nos quintais e no térreo, ignorando andares superiores que podem servir como reservatórios “invisíveis” para o mosquito.

Além disso, o estudo observou que a umidade do ar influenciou o número de ovos, especialmente durante a estação seca. Arcos enfatizou a importância de manter vigilância rigorosa mesmo em períodos de menor precipitação, já que a umidade pode variar. Ele também mencionou a necessidade de um monitoramento contínuo para avaliar o impacto das mudanças climáticas e da sazonalidade ao longo do tempo, além de investigar as taxas de infecção natural por arbovírus em mosquitos capturados em diferentes andares.

Fonte: Portal Amazônia

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