Novos políticos, velhas práticas: a persistência da 'velha política' no Brasil
Apesar das promessas de renovação, a 'velha política' continua a prevalecer no Brasil, com práticas de clientelismo e fisiologismo ainda em voga.

MANAUS – A cada novo pleito, surgem figuras políticas que prometem romper com a chamada 'velha política'. Os discursos frequentemente incluem a renovação de práticas, o combate à corrupção e um gerenciamento mais eficiente que priorize o bem-estar da sociedade. Contudo, especialistas em ciências políticas afirmam que, mesmo com a chegada de novos representantes, os interesses individuais continuam a prevalecer, perpetuando a cultura da 'politicagem'.
A definição de 'velha política' está frequentemente ligada a práticas como clientelismo e troca de favores, onde o uso da estrutura pública serve para fortalecer alianças pessoais e políticas. Segundo analistas, essas práticas não foram extintas com a ascensão de políticos mais jovens ou de novos movimentos, e a lógica de manutenção do poder continua a desafiar a eficiência do Estado e a relação entre representantes e a população.
O cientista político Helso Ribeiro destaca que a 'nova política' é frequentemente associada a pessoas que nunca ocuparam cargos públicos, mas essa é apenas uma retórica eleitoral. As estruturas enraizadas da 'velha política', que priorizam interesses pessoais, continuam a dominar o cenário. A prática do clientelismo, onde favores são trocados para beneficiar grupos específicos, é um exemplo claro dessa dinâmica.
Além disso, a relação entre políticos e a população é marcada pelo que o cientista político Carlos Santiago descreve como uma extensão dos interesses privados. Ele observa que, no Amazonas, famílias mantêm mandatos em diferentes esferas de poder, e a troca de benefícios por votos se torna uma prática comum. O desafio, segundo Santiago, é romper com esse ciclo, que se perpetua por meio da participação popular, muitas vezes desinformada.
Por fim, Santiago enfatiza que, para efetivamente combater a 'velha política', é crucial que os eleitores não vendam seus votos e busquem agir com responsabilidade. As negociações políticas, que muitas vezes se resumem a um 'toma lá, dá cá', precisam ser reavaliadas. O sistema político brasileiro se alimenta dessa lógica, e os novos políticos, para sobreviverem, acabam se adaptando a essas regras, perpetuando assim práticas que deveriam ser superadas.
Fonte: Amazonas Atual