Pesquisa no Amapá desenvolve mandioca resistente à praga vassoura-de-bruxa
Um estudo do Iepa em Itaubal busca criar mandiocas que convivem com a praga vassoura-de-bruxa. Resultados iniciais mostram plantas saudáveis perto de áreas infectadas.

O Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) está conduzindo uma pesquisa inovadora em Itaubal, com o objetivo de desenvolver variedades de mandioca que possam conviver com a praga vassoura-de-bruxa sem sofrer infecções. Essa praga tem causado sérios danos às lavouras de mandioca na região, mas os resultados preliminares da pesquisa são promissores.
O produtor rural Douglas Dutra, que participa do estudo, relata que suas plantas de mandioca cresceram saudáveis, mesmo estando a apenas 300 metros de áreas completamente contaminadas. “Talvez tenha a doença, mas visivelmente não apresenta sintomas. Mesmo estando em volta de vizinhos com a doença, a minha área vem dando bons resultados”, afirmou Douglas.
Os pesquisadores notaram que algumas plantações afetadas pela praga mostraram-se tolerantes durante o processo de rebrota, que é a capacidade da planta de produzir novos brotos após ser cortada. O Dr. Marcelo Carim, que coordena a pesquisa, explicou que a planta parece passar por uma reorganização fisiológica que lhe permite lançar novos ramos vigorosos, possivelmente mais resistentes à doença.
A pesquisa inclui um manejo cuidadoso do solo, com técnicas que envolvem a microbiota e o uso de compostos biológicos para fortalecer o material genético das mandiocas. De acordo com Carim, criar condições que garantam uma nutrição adequada para as plantas é fundamental para ajudá-las a combater a praga. Para isso, os pesquisadores se basearam em estudos realizados nos anos 1990, que ajudaram a banana a superar a praga mal-do-Panamá.
Atualmente, os estudos focam na variedade jurará, solicitada por Douglas devido à sua boa aceitação comercial e eficiência no processamento. Em maio, ele colheu aproximadamente 25 toneladas de mandioca, mas enfrenta dificuldades para vender a produção, levando-o a reduzir o plantio. O estudo entra em uma nova fase, com a introdução de pacotes biológicos para aumentar a produtividade e potencializar a resistência das mandiocas à praga vassoura-de-bruxa, que já foi identificada em 15 dos 16 municípios do Amapá.
Fonte: Portal Amazônia