Pesquisas da Unesp promovem cultivo de pupunha e protegem palmeiras nativas
Estudos da Unesp na década de 1990 incentivaram o cultivo da pupunha, reduzindo a pressão sobre palmeiras nativas do Brasil e contribuindo para a conservação ambiental.

Na década de 1990, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) conduziu pesquisas que viabilizaram o cultivo da pupunha no Brasil, uma alternativa sustentável que ajudou a diminuir a extração de palmito de espécies nativas. Em maio de 1991, o Jornal da Unesp destacou a palmeira pupunha como uma potencial salvadora do palmito, que na época era extraído principalmente da juçara e do açaizeiro.
A juçara, nativa da Mata Atlântica, e o açaizeiro, originário da Amazônia, estavam sob risco devido à exploração excessiva. A iniciativa da Unesp, liderada pelo agrônomo José Roberto Moro, buscou transformar essa realidade ao introduzir o cultivo agrícola da pupunha (Bactris gasipaes), uma palmeira nativa da Amazônia peruana.
O professor Moro, que até então focava seus estudos em citogenética e milho, se uniu a Wanders Chavez Flores, do INPA, e Marilene Leão Alves Bovi, do Instituto Agronômico de Campinas, para discutir o potencial do palmito de pupunha. A partir dessa parceria, foi percebido que o pupunha apresentava vantagens significativas sobre as espécies nativas, como um ciclo de crescimento mais rápido e a capacidade de rebrota após a colheita.
A primeira colheita do pupunha pode ser realizada em aproximadamente dois anos, ao contrário da juçara, que leva entre oito e dez anos para amadurecer. Além disso, a pupunheira permite cortes sucessivos, ajudando a garantir a produção contínua e reduzindo a pressão sobre outras palmeiras. Esse fator foi crucial para a conservação das florestas brasileiras, que enfrentavam a ameaça da extinção de suas palmeiras nativas.
Com o tempo, as pesquisas mostraram resultados positivos: em 2010, cerca de 50% do mercado de palmito no Brasil já era proveniente da pupunha. A trajetória dessa pesquisa reflete a importância da ciência na busca por soluções que não apenas promovem a produção agrícola, mas também conservam a biodiversidade e o meio ambiente, reduzindo a extração de espécies ameaçadas.
Fonte: Portal Amazônia