Processo contra Wilson Lima avança após 5 anos de paralisação
A investigação sobre a compra de respiradores na pandemia ganha nova relatora no STJ, após cinco anos adormecida. Wilson Lima pode enfrentar sérias consequências legais.

Manaus - A ação penal que investiga o escândalo da compra de respiradores durante o auge da pandemia de Covid-19, que envolve o ex-governador do Amazonas, Wilson Lima, teve um importante desdobramento na quarta-feira, 17 de outubro. O processo, que se encontrava estagnado por mais de cinco anos, foi redistribuído e agora está sob a responsabilidade da ministra Nancy Andrighi, integrante da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A redistribuição do caso marca o fim de um longo período de paralisia que foi amplamente criticado. O processo, que foi autuado em abril de 2020, avançou lentamente durante esses anos. Com a nova relatora, a ação já foi imediatamente enviada ao Ministério Público Federal (MPF), indicando que a lentidão dos últimos anos ficou para trás.
A escolha da ministra Nancy Andrighi para relatar o caso pode ser preocupante para Wilson Lima. Andrighi é conhecida por sua experiência e rigor na análise de casos, e seu histórico recente tem gerado apreensão no meio político. Ela foi a relatora de um caso relacionado ao governador do Acre, Gladson Cameli, onde não hesitou em votar pela aceitação da denúncia do MPF e pela condenação do político.
As acusações contra Wilson Lima são graves. Ele responde por organização criminosa, fraude em licitação e peculato, todos conectados à compra dos respiradores. O STJ já havia rejeitado um inquérito secundário sobre o transporte dos equipamentos, mas o processo principal continua em andamento e, se condenado, Lima poderá enfrentar a inelegibilidade nas próximas eleições e cumprir pena.
De acordo com a denúncia, uma empresa de equipamentos hospitalares vendeu os respiradores por R$ 2,4 milhões para a FJAP Importadora, que estava registrada como uma loja de vinhos. No mesmo dia, o Estado comprou os aparelhos da importadora por R$ 2,9 milhões, resultando em um sobrepreço de R$ 500 mil. O MPF alega que Wilson Lima esteve diretamente envolvido nessa operação.
Fonte: D24AM