Proteção de florestas é mais eficaz que restauração, aponta estudo
Pesquisa revela que proteger florestas existentes gera mais benefícios ao clima e biodiversidade do que restaurar áreas desmatadas.

Um estudo realizado em mais de 3 milhões de hectares da Amazônia concluiu que apenas restaurar áreas já desmatadas não é suficiente para reverter as perdas de biodiversidade. A pesquisa, publicada na revista Science, enfatiza que a combinação de proteção e restauração das florestas proporciona benefícios superiores tanto para a biodiversidade quanto para o clima.
A pesquisa foi conduzida por um grupo internacional de 19 pesquisadores, liderado pela Rede Amazônia Sustentável (RAS), envolvendo instituições renomadas como a Universidade de Lancaster e a Embrapa Amazônia Oriental. O estudo analisou áreas em Paragominas e Santarém, no Pará, e utilizou dados de biodiversidade coletados em 381 áreas, além de informações socioeconômicas de 499 propriedades rurais e imagens de satélite.
Os resultados mostraram que, ao evitar incêndios e a extração de madeira, poderia-se mitigar 68% das perdas de biodiversidade e 47% das perdas de carbono. Em contrapartida, a restauração isolada apenas compensaria 6% das perdas de biodiversidade e 15% das de carbono, o que evidencia as limitações dessa abordagem.
De acordo com Jos Barlow, professor da Universidade de Lancaster e autor sênior do estudo, a degradação das florestas não é visível apenas por meio da perda de cobertura florestal. Ele destaca que incêndios e exploração de madeira causam perdas significativas em biodiversidade e carbono, que precisam ser abordadas nas políticas de conservação.
Os autores do estudo ressaltam que as melhores estratégias de conservação devem incluir a proteção das florestas remanescentes, evitando sua degradação, e a restauração de áreas estratégicas. Investir somente em restauração não é suficiente enquanto as florestas maduras continuam sendo destruídas. O estudo abre caminho para um novo enfoque nas políticas florestais, integrando ações de combate ao desmatamento e à degradação.
Fonte: Portal Amazônia