Quatro novas mariposas são descritas no Amazonas com nomes de orixás
Pesquisadores descobriram quatro novas espécies de mariposas na Amazônia, homenageando orixás e revelando a diversidade do gênero Eois.

Recentemente, foram identificadas quatro novas espécies de mariposas na região Amazônica, além de outras quatro no Brasil, em um estudo que modificou a compreensão do gênero Eois. Essas mariposas, antes consideradas uma única espécie, foram diferenciadas através de uma combinação de análises morfológicas, dados moleculares e interações com plantas hospedeiras.
O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), e publicado na revista Scientific Reports. Segundo Simeão de Souza Moraes, coordenador do estudo, a pesquisa destaca a importância de integrar diferentes técnicas na descrição de novas espécies, além de valorizar referências da cultura afro-brasileira na nomenclatura.
As mariposas recém-descritas, conhecidas como Eois, têm entre 1,5 cm e 2 cm de envergadura e foram nomeadas em homenagem a orixás do candomblé e da umbanda. Nomes como E. oxumare e E. orumila foram atribuídos a espécies coletadas nas margens do rio Mogi Guaçu, enquanto outras, como E. stantonae, homenageiam a pesquisadora que faleceu antes da publicação do estudo.
Além das novas descrições, a pesquisa revelou que a diversidade do gênero Eois estava subestimada em até 176%. A análise morfológica da genitália feminina e o registro das plantas hospedeiras das lagartas foram fundamentais para a diferenciação das espécies, uma abordagem que desafia práticas anteriores que focavam apenas na morfologia masculina.
O estudo também sugere que regiões de baixas altitudes, como a Amazônia, abrigam uma diversidade significativa de espécies, desafiando a ideia de que a diversidade de mariposas é maior em áreas de alta latitude. Essa descoberta pode levar a novas pesquisas sobre as interações ecológicas entre as mariposas e as plantas do gênero Piper, como a pimenta-do-reino, que são essenciais para a alimentação das larvas.
Fonte: Portal Amazônia