Campanha busca política nacional para saúde mental em crises climáticas
A Time To Act lança campanha para debater os impactos emocionais da crise climática e pede a criação de uma política nacional através do PL 6151/25 na Câmara dos Deputados.

SÃO PAULO – A organização Time To Act está promovendo a campanha Saúde Mental Climática, que visa gerar discussões na sociedade sobre os efeitos emocionais, psicológicos e comunitários causados pela crise climática. A mobilização também solicita a criação de uma política nacional que aborde essas questões, proposta que está sendo analisada na Câmara dos Deputados por meio do Projeto de Lei (PL) 6151/25, apresentado pelos deputados Pompeo de Mattos (PDT-RS) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS).
O objetivo do PL é estabelecer um atendimento direcionado às comunidades afetadas por eventos climáticos extremos, integrando áreas de assistência social, saúde, educação e defesa civil. A proposta abrange todas as faixas etárias e grupos populacionais, incluindo crianças, idosos e pessoas com deficiência, com a criação do Sistema Nacional de Saúde Mental Climática e centros de Resiliência, Cura e Reconstrução de Comunidades.
Em entrevista à Agência Brasil, a fundadora da Time To Act, Luciana Brafman, destacou que o desejo de mobilizar essa causa surgiu após observar a situação das famílias filipinas afetadas por um terremoto e das gaúchas atingidas pelas enchentes de 2024. Ela apontou que os filipinos viveram em barracas por um ano e meio, o que a fez refletir sobre a resiliência necessária para que as vítimas se reergam, frequentemente sem apoio governamental ou psicológico.
Luciana, que também é consultora da ONU para políticas climáticas, enfatizou que as mudanças climáticas têm um impacto desproporcional sobre grupos vulneráveis, incluindo povos originários, quilombolas e moradores de favelas. “Não adianta nada reconstruir uma região com uma comunidade inteira traumatizada”, disse, ressaltando que a saúde mental coletiva é essencial para a recuperação efetiva das comunidades.
O pedagogo Reinaldo Nascimento, que tem experiência em atender famílias em situações de emergência, observou que muitos jovens apresentaram comportamentos de regresso, como chupar o dedo ou fazer xixi na cama, após experiências traumáticas. Nascimento também ressaltou que a desinformação sobre a crise climática é um desafio, uma vez que pesquisas indicam que 44% da população brasileira expressa ceticismo em relação à gravidade da situação, destacando a importância de uma abordagem informativa e científica para combater essa falta de consciência.
Fonte: Amazonas Atual