Coiab Lança Cartilha para Combater Efeitos do Super El Niño em Territórios Indígenas
A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira lançou uma cartilha com orientações práticas para ajudar comunidades a se prepararem para os efeitos do El Niño até 2026.

Durante a XV Assembleia Geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), realizada na Terra Indígena Karajá/Xambioá, em Tocantins, foi lançada uma cartilha que visa apoiar as comunidades indígenas em eventos climáticos extremos. O material, voltado para organizações, associações e comunidades indígenas, traz orientações práticas para se prepararem para o agravamento do fenômeno El Niño, especialmente em relação ao período de seca extrema previsto para 2026.
A cartilha contém diretrizes que ajudam as comunidades a elaborar seus próprios planos de ação, contemplando o que fazer antes, durante e após a seca. Além disso, fornece informações sobre quais instituições e órgãos públicos devem ser acionados em situações críticas, como falta de água, insegurança alimentar e incêndios, entre outros problemas que podem surgir em decorrência das mudanças climáticas.
Rosibel Baré, gerente de Monitoramento Territorial Indígena (GEMTI) da Coiab, destacou que o documento é parte de uma estratégia maior da Coiab, que inclui um Plano de Adaptação Climática. “Esse material pode direcionar e integrar outros planos estaduais de clima, além de ser uma ferramenta fundamental para solicitar apoio e construir um diálogo com os órgãos públicos sobre as necessidades dos territórios indígenas”, afirmou.
No total, 500 exemplares da cartilha foram distribuídos para lideranças dos nove estados da Amazônia brasileira durante a assembleia. Gleissimar Kokama, liderança do Alto Solimões, no Amazonas, ressaltou a importância da cartilha para a educação sobre mudanças climáticas em sua região, enfatizando a necessidade de incluir todas as comunidades nas discussões sobre o clima.
O fenômeno El Niño, que provoca o aquecimento das águas do Pacífico equatorial, altera padrões climáticos e pode resultar em períodos de seca mais severos nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. As previsões indicam que o fenômeno deverá se agravar, afetando a vida de muitos, com impactos diretos sobre a água, alimentos e saúde. Em 2024, mais de 200 terras indígenas foram afetadas pela seca extrema, impactando mais de 200 mil pessoas, o que evidencia a urgência de medidas como as propostas pela Coiab.
Fonte: Portal Amazônia