Febre do Nilo Ocidental: Brasil registra 4 casos, incluindo 2 em SP
O Brasil confirmou quatro casos de Febre do Nilo Ocidental, incluindo os primeiros registrados em São Paulo. Entenda a doença, seus sintomas e formas de prevenção.

O Estado de São Paulo confirmou seus dois primeiros casos de Febre do Nilo Ocidental, uma infecção pouco conhecida no Brasil. As pacientes são residentes de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Além disso, em Santa Catarina, foram registrados outros dois casos, envolvendo moradores de Imbituba e Caçador, sendo que um dos pacientes em Santa Catarina faleceu em decorrência da doença.
A Febre do Nilo Ocidental é causada pelo vírus do mesmo nome, que foi identificado pela primeira vez em 1937, no Uganda. No Brasil, o primeiro caso foi registrado em 2014, no Piauí, onde também ocorreu a notificação do primeiro óbito em 2017. A recente confirmação de novos casos gerou um aumento no interesse público, com um crescimento nas buscas sobre a doença no Google, conforme dados do Google Trends.
Segundo Camila Romano, bióloga e pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP), a principal forma de transmissão do vírus é pela picada de mosquitos infectados do gênero Culex. Este inseto circula principalmente durante as primeiras horas da manhã e ao entardecer. Vale destacar que a infecção não é transmitida de pessoa para pessoa pelo contato cotidiano, sendo a picada do mosquito a principal via de contágio.
Os sintomas da doença são, em sua maioria, leves e podem ser confundidos com outras arboviroses. Cerca de 80% das pessoas infectadas não apresentam sintomas. Entre aqueles que desenvolvem manifestações, os sinais surgem entre dois a 14 dias após a picada. Sintomas como febre, dores musculares e nas articulações são comuns, mas em casos raros, menos de 1%, podem ocorrer complicações neurológicas graves, como meningite e encefalite.
Embora não haja um antiviral específico para tratar a Febre do Nilo Ocidental, o tratamento varia de acordo com a gravidade da infecção. Nos casos leves, recomenda-se repouso e hidratação, enquanto casos mais sérios podem exigir internação hospitalar. A prevenção é essencial, incluindo eliminação de criadouros de mosquitos, uso de roupas adequadas e medidas públicas de controle. O médico infectologista Victor Bertollo Gomes ressalta que, apesar da atenção que os novos casos chamam, a febre do Nilo Ocidental continua sendo uma doença rara no Brasil, com baixo risco para a população em geral.
Fonte: Amazonas Atual