Duas novas espécies de escorpiões são descobertas em Roraima após 10 anos de pesquisa
Pesquisadores da Unesp catalogaram duas novas espécies de escorpiões em Roraima após uma década de estudos. O foco agora é investigar o potencial medicinal de seus venenos.

Após uma intensa pesquisa de dez anos, cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) catalogaram duas novas espécies de escorpiões em Roraima: Cayooca puchus e Brotheas cernii. As novas espécies foram encontradas nas proximidades da Cachoeira do Evandro, localizada em Mucajaí, no Sul do estado.
As duas espécies possuem tamanhos distintos, sendo o Cayooca puchus variando entre 3,2 e 5,1 centímetros, enquanto o Brotheas cernii mede de 4,5 a 5,7 centímetros. A descoberta foi liderada pela pesquisadora Manuela Pucca, coordenadora do Laboratório de Imunologia e Toxinologia da Unesp, com o apoio do grupo de pesquisa Snakebite da Universidade Federal de Roraima (UFRR).
De acordo com Manuela Pucca, a descoberta é motivo de grande satisfação e orgulho, demonstrando que ainda existem espécies desconhecidas na Amazônia, especialmente em Roraima. Os resultados dessa pesquisa foram publicados na revista científica Diversity, especializada em biodiversidade, em junho deste ano.
Para a catalogação, os pesquisadores realizaram expedições noturnas em outubro de 2022, utilizando lanternas de luz ultravioleta para identificar os escorpiões, que se tornam fluorescentes sob essa luz. Os espécimes foram preservados em álcool a 70% e passaram por análises morfológicas detalhadas para confirmar suas características únicas.
A pesquisa envolveu a colaboração de seis instituições do Brasil e do México, e agora os escorpiões foram enviados para estudos no laboratório da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp. Os pesquisadores esperam que as moléculas presentes nos venenos possam ser utilizadas no desenvolvimento de novos medicamentos, especialmente antimicrobianos e anti-inflamatórios, embora alertem que o processo pode levar décadas.
Fonte: Portal Amazônia