Crises recentes no Amazonas: seca, cheia, oxigênio e qualidade do ar
O Amazonas enfrentou crises recentes como falta de oxigênio na pandemia, cheias históricas, secas recordes, incêndios e baixa qualidade do ar, com impactos sociais e econômicos.

O Amazonas enfrentou diversas crises nos últimos anos, incluindo a falta de oxigênio na pandemia de Covid-19, secas e cheias severas, além de problemas relacionados à qualidade do ar. Em 2026, a seca extrema no Rio Negro levou o governo estadual a decretar situação de emergência em saúde pública por 180 dias.
A seca isolou mais de 600 comunidades no interior do estado e, somada a acidentes fluviais, resultou na perda de medicamentos e cilindros de oxigênio medicinal. Manaus também registrou os piores índices de qualidade do ar do Brasil, causados pela fumaça de incêndios florestais que afetaram a capital e municípios do interior.
Em janeiro de 2021, durante a segunda onda da Covid-19, o sistema de saúde de Manaus entrou em colapso devido à falta de oxigênio medicinal. O consumo diário chegou a 76,5 mil metros cúbicos, enquanto a produção local era de 28,2 mil metros cúbicos, o que levou à transferência de mais de 500 pacientes para outros estados. O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública do Estado pedem indenização de R$ 4 bilhões contra a União, o governo estadual e a Prefeitura de Manaus por supostas omissões e falhas no planejamento.
Em junho de 2021, o Rio Negro atingiu 30,02 metros em Manaus, a maior cheia desde o início das medições em 1902, afetando mais de 455 mil pessoas. A água invadiu áreas do Centro Histórico e obrigou a feira Manaus Moderna a transferir parte das atividades para estruturas flutuantes. Para facilitar a circulação, foram construídos cerca de 13 mil metros de pontes e passarelas de madeira.
Em outubro de 2023, o Rio Negro chegou a 13,59 metros, o menor nível em 121 anos, afetando os 62 municípios do Amazonas e mais de 600 mil pessoas. A seca prejudicou a navegação, suspendeu aulas em escolas rurais e levou à interdição da praia da Ponta Negra. O fenômeno das terras caídas causou destruição em comunidades de Beruri. Em 2 de outubro de 2023, Manaus registrou 39,2 °C, uma das maiores temperaturas da série histórica.
Em 2024, a estiagem atingiu níveis extremos, com o Rio Negro chegando a 12,11 metros em Manaus e mais de 800 mil pessoas afetadas. Os prejuízos econômicos foram estimados em mais de R$ 600 milhões. O estado registrou mais de 25 mil focos de queimadas, o maior número em 26 anos, espalhando fumaça que encobriu Manaus e prejudicou a qualidade do ar, afetando especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Em 2026, a fumaça de incêndios florestais voltou a comprometer a qualidade do ar entre setembro e outubro, levando à suspensão de aulas da rede municipal, cancelamento de eventos esportivos ao ar livre e aumento nos atendimentos por problemas respiratórios. O baixo nível dos rios dificultou o acesso a comunidades do interior, o que motivou o decreto de situação de emergência em saúde pública para garantir o transporte e o fornecimento de insumos essenciais.
Fonte: Portal Amazônia