Cruzeiro do Sul: segunda maior cidade do Acre e Capital Nacional da Farinha
Cruzeiro do Sul, segunda maior cidade do Acre, destaca-se pela produção de farinha de mandioca, resistência indígena, importância do Rio Juruá e movimentos políticos autonomistas.

Cruzeiro do Sul, fundada em 28 de setembro de 1904, é a segunda maior cidade do Acre e está localizada às margens do Rio Juruá, a 633,5 quilômetros de Rio Branco pela BR-364. A região já era ocupada por povos indígenas antes da chegada dos primeiros exploradores não indígenas, que avançaram na segunda metade do século 19 em busca do látex, transformando a dinâmica da Amazônia.
O Vale do Juruá era habitado principalmente por povos indígenas de línguas Pano, como Náuas, Caxinauás, Jaminauás, Iauana(u)ás e Poyanauás. A resistência desses grupos foi determinante para que a ocupação não indígena avançasse de forma diferente do restante do Acre. A cidade foi fundada pelo coronel Gregório Taumaturgo de Azevedo, conhecido como Marechal Taumaturgo, que planejou a cidade antes de abrir as ruas e implantar os quarteirões.
O Rio Juruá foi fundamental para o desenvolvimento da cidade, sendo uma das principais vias de transporte no início do século 20. A localização de Cruzeiro do Sul às margens do rio influenciou sua economia e os costumes locais, que incluem uma forte cultura ribeirinha, presença indígena, diversidade agrícola e áreas de floresta, além da proximidade com a Serra do Divisor.
A farinha de mandioca é um dos produtos mais tradicionais da cidade e da região do Juruá. A mandioca foi domesticada por povos indígenas há milhares de anos e faz parte da alimentação de diferentes comunidades amazônicas. A farinha de Cruzeiro do Sul se destaca por ser mais crocante, mais caroçuda e menos fina, características que foram aprimoradas ao longo das décadas pelas comunidades locais, especialmente após a crise dos seringais, quando a produção local de alimentos ganhou maior importância.
Em 2024, Cruzeiro do Sul foi declarada Capital Nacional da Farinha por uma lei sancionada pelo presidente Lula. O produto já era patrimônio cultural do Acre desde 2019 e recebeu o selo de Identificação Geográfica em 2017. A história da cidade também inclui movimentos políticos importantes, como a revolta autonomista de 1910, quando os autonomistas tomaram o poder local e defenderam a transformação do território federal em estado, influenciando outras revoltas no Acre.
A cultura popular e religiosa tem forte presença em Cruzeiro do Sul. Manifestações como a Marujada, as Baianas, a Dança das Flores no carnaval, e tradições como o Reisado e as pastorinhas no fim do ano são parte da identidade local. A Festa de Nossa Senhora da Glória é uma das maiores manifestações religiosas do Acre e da Amazônia, refletindo a influência histórica da Igreja Católica na região.
Segundo o historiador Marcos Vinícius Neves, a combinação entre a riqueza ambiental, a diversidade cultural e social, a presença do Rio Juruá e a história construída pelos diferentes povos que vivem na região são o que diferenciam Cruzeiro do Sul de outras cidades do Acre.
Fonte: Portal Amazônia