Ecoturismo comunitário é impulsionado por libélulas no Pará
A Resex Tapajós-Arapiuns, no Pará, ganha destaque com o ecoturismo focado na observação de libélulas, promovendo desenvolvimento local e conservação ambiental.

A Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, situada entre Santarém e Aveiro, no estado do Pará, tem se destacado no cenário do ecoturismo, com a observação de libélulas como uma de suas principais atividades. Essa prática não só atrai turistas, mas também promove a valorização da cultura local e a participação das comunidades na gestão dos recursos naturais.
A transformação das libélulas, da fase de ovo à ninfa e, posteriormente, ao inseto adulto, simboliza a capacidade de adaptação e mudança, refletindo também a resiliência das comunidades humanas. Além de seu valor estético, esses insetos são vitais para o equilíbrio ecológico, reciclando matéria orgânica e servindo como bioindicadores de qualidade ambiental em ambientes de água doce.
Um estudo intitulado "Libélulas neotropicais (Insecta: Odonata) como organismos-chave para a promoção do ecoturismo comunitário em uma área de conservação da Amazônia brasileira", liderado pela bióloga Mayerly Alexandra Guerrero-Moreno e pelo professor José Max Oliveira-Júnior da Universidade Federal do Oeste do Pará, analisou a percepção dos moradores sobre esses insetos. Os resultados evidenciam o potencial das libélulas e donzelinhas para fomentar o ecoturismo na região, beneficiando economicamente as cerca de 23 mil pessoas que habitam a reserva.
O estudo envolveu 415 entrevistas com moradores indígenas e não indígenas, evidenciando a diversidade cultural da Resex Tapajós-Arapiuns. A pesquisa revelou que a maioria dos entrevistados reconhece os insetos pelo nome popular “jacina” ou “jacinta”, com uma percepção positiva sobre sua aparência e comportamento. Além disso, a maioria das entrevistadas é do gênero feminino, o que reflete a crescente liderança das mulheres nas comunidades locais.
Por fim, os pesquisadores destacam que, apesar do reconhecimento das libélulas, o nível de escolaridade ainda é baixo, com predominância do ensino fundamental. Para garantir o sucesso do ecoturismo comunitário, é essencial investir em programas educacionais que capacitem a população local sobre biologia, manejo e identificação das espécies. Políticas públicas e financiamento são cruciais para a sustentabilidade dessas iniciativas, promovendo não apenas o ecoturismo, mas também a conservação da biodiversidade na Amazônia.
Fonte: Portal Amazônia