Estudo revela fatores climáticos e sociais que influenciam acidentes ofídicos no Pará
Pesquisa da Ufopa destaca a relação entre condições socioeconômicas e acidentes com serpentes no Pará, maior índice do Brasil.

Uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) foi publicada na revista científica Tropical Medicine & International Health, reconhecida na área de medicina tropical e saúde global. O estudo analisou a influência de fatores climáticos e sociais na ocorrência de acidentes ofídicos no estado do Pará, que detém o maior número absoluto de casos de picadas de serpentes no Brasil.
Intitulado “Climatic and Social Drivers of Snakebite Incidence in Pará State, Brazilian Amazon”, o artigo revisou dados epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos entre 2007 e 2023. O objetivo principal foi entender como variáveis como precipitação, níveis dos rios e indicadores sociais estão interligados à distribuição dos acidentes ofídicos na região amazônica.
O primeiro autor do estudo, Jorge Emanuel Cordeiro Rocha, é egresso do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PPGRNA) da Ufopa. Sob a orientação da professora doutora Ana Carla dos Santos Gomes e coorientação do professor doutor Joacir Stolarz-de-Oliveira, o trabalho também contou com a colaboração do pesquisador Samuel Campos Gomides, do Campus Oriximiná da Ufopa.
A pesquisa revelou que os acidentes ofídicos estão intimamente ligados a indicadores de vulnerabilidade social. Eles ocorrem com maior frequência em municípios com um maior percentual de população rural, taxas elevadas de analfabetismo e condições de saneamento básico precárias. Além disso, a influência de fatores ambientais, como regimes de chuvas e variações nos níveis dos rios, foi destacada na dinâmica desses acidentes.
Os resultados indicaram um padrão sazonal bem definido, com maior incidência de acidentes no primeiro semestre do ano, que coincide com a estação chuvosa na maior parte da Amazônia. A professora Ana Carla Gomes ressaltou que os achados do estudo são fundamentais para a elaboração de estratégias de prevenção e vigilância em saúde, especialmente em locais com alta incidência de acidentes ofídicos. Ela enfatizou a importância de integrar fatores sociais e ambientais nas políticas públicas para enfrentar essa questão de saúde pública na região.
Fonte: Portal Amazônia