Mudanças bruscas na AMOC podem impactar clima global, revela estudo
Um novo estudo aponta que a Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC) pode sofrer alterações abruptas devido a mudanças climáticas, com implicações para o clima global.

Uma pesquisa recente aponta que o sistema fundamental para o clima da Terra, chamado Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico, conhecido pela sigla AMOC, já passou por mudanças repentinamente no passado, influenciadas por alterações climáticas semelhantes às que estamos enfrentando atualmente. O estudo, liderado por pesquisadores do Brasil e da Alemanha, indica que a AMOC, uma importante estrutura de correntes oceânicas, pode ter variações bruscas de intensidade mesmo quando já se encontra enfraquecida.
A AMOC atua como um transportador de calor pelo oceano Atlântico, levando águas quentes das regiões equatoriais e tropicais para altas latitudes do Atlântico Norte. Este sistema é crucial para regular o clima em várias partes do mundo, incluindo a Europa e partes da América do Norte, além de afetar os padrões de chuvas em regiões intertropicais da África e da América do Sul. O aquecimento global tem enfraquecido a AMOC, levantando preocupações sobre o risco de uma desaceleração abrupta que poderia alterar radicalmente o clima em várias regiões do planeta.
O estudo, que foi conduzido por Cristiano Mazur Chiessi da Universidade de São Paulo e Stefan Mulitza da Universidade de Bremen, identificou sinais de dois episódios de intensificação da AMOC que ocorreram entre 17,8 e 14,8 mil anos atrás. Durante o denominado “Heinrich Stadial 1”, a AMOC estava, em sua maior parte, mais fraca do que atualmente; no entanto, houve dois momentos de fortalecimento acentuado, um deles ocorrendo entre 16,5 e 15,8 mil anos atrás, quando a circulação superou sua intensidade atual.
As descobertas foram publicadas em maio na revista Nature Communications, e Chiessi enfatiza que é a primeira vez que se demonstra que a AMOC pode passar por pulsos de fortalecimento mesmo quando está em um estado de fraqueza. O principal motor da AMOC é o afundamento de águas frias e salinas na Groenlândia, que, por sua vez, é afetado pelo aquecimento global e pela diminuição da salinidade das águas superficiais, dificultando o seu afundamento.
Atualmente, os pesquisadores alertam que, embora o processo de enfraquecimento da AMOC possa levar a um colapso súbito, ainda não há previsões claras sobre quando isso pode ocorrer. Estudos anteriores não conseguiam prever a evolução da AMOC com precisão, mas novos dados sugerem um potencial enfraquecimento entre 43% e 59% até 2100, mesmo que todos os países cumpram suas promessas de redução de emissões. As implicações de um enfraquecimento dessa magnitude seriam históricas, uma vez que não ocorre um processo semelhante desde o final da última Era do Gelo.
Fonte: Portal Amazônia