Estudo sugere falha geológica desconhecida em Tarauacá, no Acre
Pesquisadores da UFAC apontam para a possibilidade de uma falha geológica não identificada em Tarauacá, analisando registros de tremores desde os anos 50.

Pesquisadores da Universidade Federal do Acre (UFAC) levantaram a hipótese de que existe uma falha geológica desconhecida na cidade de Tarauacá, localizada a 400 km de Rio Branco. O estudo incluiu a análise de registros de terremotos na região desde a década de 1950, utilizando dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
A pesquisa identificou uma concentração de tremores em Tarauacá e sugeriu a presença de uma grande estrutura geológica, denominada falha de Tarauacá. Os pesquisadores classificaram os tremores de acordo com a localização, profundidade, magnitude e data, criando mapas que destacam as áreas com maior risco de sismos.
Os cientistas acreditam que essa falha pode estar relacionada à divisão do território acreano em duas unidades tectônicas: a Placa do Juruá e a Placa do Purus. No entanto, essa ainda é uma hipótese que necessita de estudos geofísicos mais detalhados para confirmar a estrutura e entender melhor sua relação com os tremores.
Waldemir Lima, professor do curso de geografia da UFAC, explicou que a falha recebeu o nome de Tarauacá por sua relevância regional: "Agora é preciso comprovar com dados mais robustos para que tenhamos avanços nesse sentido". Cleyton Aguiar Crisóstomo, mestre em geografia na UFAC, complementou que os terremotos no Acre estão interligados a um cenário geológico mais amplo, dada a proximidade do estado com os Andes.
Os pesquisadores notaram que a cidade de Tarauacá é a mais afetada por esses eventos sísmicos, e as características do relevo local contribuem para essa ocorrência. A configuração geológica entre o município e o Rio Gregório é distinta, o que, segundo os especialistas, indica uma neotectônica ativa na região. Os tremores observados no Acre, embora sentidos pela população, normalmente não possuem a intensidade destrutiva observada em áreas próximas ao encontro das placas tectônicas.
Fonte: Portal Amazônia