Puxuri: a árvore aromática da Amazônia com grande potencial econômico
O puxuri, árvore nativa da Amazônia, destaca-se por seu aroma intenso e potencial científico. Pesquisas buscam ampliar seu uso e conservação na região.

O puxuri é uma árvore nativa e endêmica da Amazônia brasileira, encontrando-se principalmente nos estados do Amazonas e do Pará. Com uma altura que pode variar entre 25 e 30 metros, essa espécie é facilmente reconhecida pelo seu aroma marcante, presente em toda a planta, incluindo casca, madeira, folhas e frutos.
A planta, conhecida cientificamente como Licaria puchury-major (Mart.) Kosterm., pertence à família Lauraceae, a mesma de outras árvores famosas como o pau-rosa e a canela. A pesquisadora Flávia Camila Schimpl, doutora em biologia vegetal e integrante do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), destaca que o aroma intenso é especialmente concentrado nas sementes, que podem conter até 70% de óleo essencial rico em safrol.
O puxuri é encontrado em locais como o baixo rio Madeira e o baixo rio Negro, e é adaptado tanto a florestas de igapó, que são áreas sazonalmente alagadas, quanto a florestas de terra firme. A identificação da árvore vai além de sua aparência, com a forma das folhas e o cheiro intenso sendo características essenciais para distingui-la de outras espécies da região.
Historicamente, o puxuri teve um papel importante, sendo uma das primeiras especiarias amazônicas a ser exportada para a Europa entre os séculos XVII e XVIII, onde era conhecida como “fava-pichurim”. Atualmente, a semente continua a ser utilizada na culinária local e na alta gastronomia, com chefs incorporando-a em pratos sofisticados.
Entretanto, a espécie enfrenta desafios de conservação, com sinais de diminuição em algumas áreas desde a década de 1990 devido à exploração intensa e ao desmatamento. Pesquisadores do INPA estão trabalhando em conjunto com o Instituto Federal do Amazonas para desenvolver estudos que visam estruturar a cadeia produtiva do puxuri e entender como o ambiente influencia o rendimento do óleo essencial, buscando assim garantir a preservação e potencializar o uso sustentável dessa valiosa árvore da Amazônia.
Fonte: Portal Amazônia