Indígenas no MS denunciam violência após eleições; PF é acionada
Após o segundo turno das eleições, comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul relatam ataques e ameaças, levando o Ministério dos Povos Indígenas a acionar a Polícia Federal.

Indígenas do Mato Grosso do Sul continuam a relatar um aumento nas ameaças e na violência direcionada às suas comunidades, especialmente após o encerramento do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo, dia 25. Essa situação alarmante culminou em um incêndio criminoso na casa da rezadeira de 90 anos, Ñandesy Roberta, na aldeia Jaguapiré, localizada em Tacuru, a aproximadamente 427 quilômetros de Campo Grande.
De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o incêndio destruiu não apenas a residência da idosa, mas também instrumentos sagrados utilizados em rituais tradicionais do povo Kaiowá e Guarani. A Apib classificou esse evento como uma grave violação dos direitos indígenas e da liberdade religiosa, ressaltando a importância dessas práticas culturais para as comunidades afetadas.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais na sexta-feira, dia 30, Voninho Guarani Kaiowá, um dos coordenadores da Apib, expressou sua preocupação com o aumento dos ataques e ameaças contra as comunidades Guarani Kaiowá. Ele destacou a necessidade de uma resposta firme das autoridades competentes, solicitando que os responsáveis por esses atos de violência sejam identificados e punidos de acordo com a lei.
Frente à gravidade das denúncias, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) tomaram a iniciativa de acionar a Polícia Federal para investigar os casos de violência e ameaça contra os Guarani Kaiowá. O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, também anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial destinada a coletar e tratar as denúncias de ataques e ameaças que têm ocorrido recentemente.
A Apib já registrou mais de 30 casos de violência contra povos indígenas em Mato Grosso do Sul, todos relacionados ao processo eleitoral deste ano, incluindo ataques, ameaças e atropelamentos que resultaram em mortes. Um caso notório ocorreu em Tacuru, logo após a divulgação dos resultados da eleição, quando mensagens de áudio circularam nas redes sociais sugerindo ações violentas contra comunidades indígenas, o que gerou revolta e preocupação nas lideranças locais.
Fonte: D24AM