Inovação amazônica transforma gordura de resíduos em biocombustíveis
Pesquisadores da Ufam desenvolvem tecnologia que converte gordura descartada em biocombustíveis, como biogasolina e bioquerosene, com potencial de uso sustentável.

Uma nova tecnologia, em desenvolvimento na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), está transformando gordura descartada em combustíveis sustentáveis. O projeto, que busca contribuir para a transição energética, utiliza resíduos de caixas de gordura provenientes de indústrias, restaurantes e shoppings de Manaus.
O Grupo de Pesquisa em Tecnologias Biossustentáveis da Amazônia (GP-TECBIOAM) já produziu, em escala laboratorial, biogasolina, bioquerosene, diesel verde e um combustível para embarcações, além de explorar o uso do resíduo final como ligante asfáltico para pavimentação. Essa abordagem inovadora pode transformar um passivo ambiental em uma fonte de energia renovável.
Embora a tecnologia ainda esteja em fase de pesquisa e não tenha aprovação para uso comercial, a equipe liderada pelo professor Douglas Alberto Rocha de Castro está dedicada a aprimorar o processo. Conforme explicou o coordenador do projeto, a ideia surgiu durante um trabalho de conclusão de curso, onde foi identificado o potencial da gordura residual para conversão em biocombustíveis.
Atualmente, cerca de 20 toneladas de gordura residual são geradas diariamente em Manaus, a maior parte destinada à incineração. O grupo de pesquisa visa mudar essa realidade, utilizando um processo que inclui a limpeza da gordura e o craqueamento termocatalítico, semelhante ao utilizado em refinarias de petróleo, para converter a gordura em bio-óleo com um rendimento de aproximadamente 70%.
O diferencial da tecnologia desenvolvida pela equipe está no uso de um catalisador próprio que aumenta a eficiência do processo, resultando em combustíveis que se aproximam dos derivados do petróleo. Com a realização de testes em motores a combustão, a equipe planeja avaliar como a biogasolina influencia no desempenho e nas emissões, com a expectativa de beneficiar comunidades isoladas da Amazônia.
Fonte: Portal Amazônia