Mobilização Popular Faz Milei Recuar em Projeto de Venda de Terras a Estrangeiros
A pressão social e a memória da guerra das Malvinas levaram o governo argentino a retirar proposta que facilitaria a venda de terras a estrangeiros. Artistas e políticos se uniram contra a medida.

A história da guerra das Malvinas, quando argentinos e ingleses lutaram na década de 1980 pelo controle do arquipélago no extremo sul da América do Sul, teve um papel crucial na derrota do governo de Javier Milei em seu projeto de ampliar a venda de terras argentinas para estrangeiros. Este projeto, conhecido como "estrangeirização das terras argentinas", mobilizou uma ampla gama de figuras públicas, incluindo governadores de diversas correntes políticas, celebridades e até o zagueiro da seleção nacional, Lisandro Martinez.
Com o aumento da pressão social e a falta de apoio no Senado, o governo de Milei decidiu retirar a proposta da votação programada para esta quinta-feira, 6 de outubro. Contudo, a votação de outra proposta, que permite a venda de áreas protegidas afetadas por incêndios florestais, permanece na agenda, gerando preocupação entre ambientalistas e cidadãos.
A versão que seria votada do projeto de estrangeirização das terras era menos radical do que a proposta inicial, que pretendia eliminar completamente os limites para a venda de terras a estrangeiros. A proposta mais moderada sugeria aumentar a porcentagem de terras que poderiam ser adquiridas por estrangeiros de 15% para 25% em cada província, mas o governo argumenta que essa limitação dificulta investimentos internacionais.
O professor e militante ambientalista Hernán Hougassian, que participou da marcha em Buenos Aires, destacou que a mobilização ganhou força após jogadores da seleção argentina usarem a faixa “as Malvinas são argentinas” durante um jogo contra a Inglaterra, um dia antes do governo tentar aprovar a lei. Segundo ele, a frase ativou uma “ferida aberta” na sociedade argentina, unindo pessoas em torno da defesa da soberania nacional.
O cientista político Leandro Gabiati ressaltou que a oposição ao projeto formou uma “grande maioria politicamente transversal”, o que gerou pressão significativa sobre o Senado e criou uma divisão dentro do governo, especialmente com a vice-presidente Victoria Villarruel se posicionando contrariamente. A Casa Rosada, por sua vez, indicou que está “reavaliando” a proposta, mas não especificou quando o assunto poderá voltar ao Senado. A mobilização contra outras medidas do governo, que afetam a proteção ambiental, deve continuar forte, segundo Hougassian.
Fonte: D24AM