Movimento indígena se mobiliza com 47 pré-candidaturas para 2026
Em preparação para as eleições de 2026, o projeto 'Aldear a Política' reúne 47 pré-candidaturas indígenas de 16 estados, buscando maior representatividade no Congresso.

SÃO PAULO – O cenário político brasileiro, após as eleições de 2022, revelou um Congresso Nacional majoritariamente composto por pessoas brancas, com cerca de 72% de seus membros pertencendo a este grupo. Em meio a 513 deputados federais eleitos, apenas cinco deles se autodeclaram indígenas, representando menos de 1% do total. Este foi, no entanto, um marco histórico, pois pela primeira vez cinco deputados indígenas conquistaram uma cadeira na Câmara Federal.
Entre as novas representantes estão quatro mulheres: Célia Xakriabá (PSOL-MG), Juliana Cardoso (PT-SP), Silvia Waiãpi (PL-AP) e Sônia Guajajara (PSOL-SP), além do deputado Paulo Guedes (PT-MG). Antes de 2023, apenas duas pessoas indígenas haviam sido eleitas para o legislativo nacional: o cacique Mário Juruna (PDT-RJ), que atuou entre 1983 e 1987, e Joênia Wapichana (PT-RR), eleita em 2018. No Senado, a presença de representantes indígenas nunca foi registrada, exceto em 2003 com Antônio Ferreira Apurinã (PCdoB-AC), que tomaram posse de forma simbólica.
Com esse histórico em mente, o movimento indígena se organiza para as eleições de 2026 através do projeto “Aldear a Política”, que reúne 47 pré-candidaturas de diferentes regiões do Brasil. Essas candidaturas estão distribuídas por 16 estados e o Distrito Federal, abrangendo uma diversidade de partidos. A Rede Sustentabilidade lidera com 15 pré-candidaturas, seguida pelo PT com 12, PSOL com 10, e MDB com 4.
A iniciativa “Aldear a Política” começou em 2017, durante o Acampamento Terra Livre, onde foi dada voz a um clamor por maior representatividade indígena no parlamento. Sônia Guajajara destaca a importância dessa representação para trazer questões indígenas para o centro do debate político. “É fundamental ter essa representatividade para legitimar nossas pautas”, afirma Guajajara, que se tornou a primeira ministra dos Povos Indígenas no Brasil em 2023.
As pré-candidaturas do projeto enfrentam desafios como o preconceito e a falta de recursos financeiros. Célia Xakriabá menciona a dificuldade de financiamento como um obstáculo histórico, mas também vê um avanço com a recente resolução do TSE que garante recursos proporcionais para candidaturas indígenas em 2026. Além disso, a luta contra o racismo institucional é uma prioridade para os pré-candidatos, que buscam garantir a presença e voz dos povos indígenas no espaço político, onde ainda são considerados invisíveis.
Fonte: Amazonas Atual