Seca afeta 303 Terras Indígenas na Amazônia, 23 em estado grave
Levantamento da Coiab revela que 74,4% das 407 Terras Indígenas monitoradas enfrentam seca, com Roraima sendo o estado mais crítico.

Em agosto de 2026, um alarmante 74,4% das 407 terras indígenas monitoradas na Amazônia apresentavam algum grau de seca. Sineia Wapichana, Coordenadora do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas do Conselho Indígena de Roraima (CIR), declarou que “o verão chegou mais cedo; o Estado está em emergência”, referindo-se ao grave cenário nas Terras Indígenas do estado.
O levantamento realizado pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) aponta que 303 Terras Indígenas estão afetadas pela seca, sendo 23 delas em situação grave. Esta análise foi consolidada na nota técnica intitulada ‘Panorama territorial das secas nas Terras Indígenas da Amazônia Legal, 2023–2026’, que utiliza dados de 44 meses do Monitor de Secas.
Os dados revelam que 120 TIs estão sob seca fraca, 160 sob seca moderada e 23 em seca grave. Esta última classificação voltou a ser registrada após seis meses sem ocorrências nas áreas analisadas. A seca nas Terras Indígenas já impacta cerca de 96,98 milhões de hectares na região amazônica.
No estado de Roraima, 21 Terras Indígenas estão em seca grave, enquanto no Acre, 30 enfrentam seca moderada. O Amazonas apresenta 91 TIs com seca moderada e 68 com seca fraca. Os dados indicam um agravamento da situação, que pode impactar diretamente as comunidades com a redução dos níveis de rios e igarapés.
Durante um webinar sobre o El Niño, Sineia destacou a importância de fortalecer a capacidade de preparação e resposta nas comunidades indígenas. A Coiab lançou um Plano de Adaptação para orientar as comunidades sobre como se prepararem e responderem aos impactos climáticos, enfatizando que os povos indígenas são parte central da solução para a crise climática.
Fonte: Portal Amazônia