Setor de carne bovina no Brasil teme impacto com suspensão da UE
Produtores brasileiros de carne bovina expressam preocupação com a decisão da UE de interromper as compras do produto. A ABIEC busca reinclusão do Brasil na lista de países aptos.

O setor de produção e exportação de carne bovina do Brasil manifestou sua preocupação em relação à decisão da União Europeia de suspender a compra do produto, a partir desta quinta-feira, dia 3. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) informou que está trabalhando em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária, a autoridade responsável pela negociação com as autoridades europeias.
A decisão da UE de retirar o Brasil da lista de países que cumprem as exigências sobre o uso de remédios antimicrobianos na produção bovina foi anunciada em junho deste ano. A União Europeia justificou essa ação com base em sua legislação, que proíbe o uso de substâncias que aceleram o crescimento dos animais, como alguns antimicrobianos, além de vetar antibióticos que tratam infecções humanas.
Após a decisão, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) enviou ofícios ao governo e ao Congresso Nacional, alertando sobre os possíveis prejuízos ao setor agropecuário. No documento, a CNA destaca que a suspensão da carne bovina pelo bloco europeu ignora o rigor do sistema de defesa e inspeção sanitária do Brasil, resultando em distorções no acesso ao mercado europeu.
Em meio a negociações, o Ministério da Agricultura e Pecuária reiterou, em julho, que seu objetivo é atender integralmente aos requisitos dos mercados importadores, sem flexibilizar as normas sanitárias da UE. O ministério também ressaltou que o Brasil é um exportador ativo de produtos de origem animal para mais de 150 países.
Apesar da exclusão do Brasil da lista da UE, a ABIEC afirmou que a carne bovina brasileira continua a ser comercializada em outros países. Contudo, a entidade alerta que a substituição por novos compradores não é imediata, uma vez que cada mercado demanda produtos e cortes específicos. Por isso, a ABIEC enfatiza a necessidade de negociar a reinclusão do Brasil no mercado europeu.
Fonte: D24AM