Setores reagem à tarifa extra de 25% dos EUA sobre exportações brasileiras
Setores brasileiros reagem à tarifa extra de 25% dos EUA, destacando impactos nas exportações de etanol, calçados e rochas, enquanto café e mel orgânico foram isentos.

Os setores afetados pela tarifa extra de 25% imposta pelos Estados Unidos afirmam que a decisão pode prejudicar as exportações brasileiras para o mercado norte-americano.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia informou, em nota, que a política brasileira para o etanol está alinhada às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que não há acordo bilateral para concessão de tratamento tarifário diferenciado ao etanol dos Estados Unidos. A entidade destacou que o aumento da produção no Brasil é a principal razão para a redução da entrada do combustível norte-americano no país. Ressaltou ainda que o açúcar brasileiro está sujeito a tarifas e restrições impostas pelos Estados Unidos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também se manifestou, apontando que as exportações brasileiras para os Estados Unidos já vêm caindo e a situação pode piorar. No primeiro semestre, 20 estados brasileiros reduziram as exportações. Desde 2015, as vendas para o mercado norte-americano caíram 13% devido a tarifas adicionais.
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados afirmou que a aplicação das tarifas é um "retrocesso". O presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, disse que a medida inviabiliza novos negócios e que as exportações devem cair 7,1%. Ferreira destacou a necessidade de negociações para redução das tarifas ou inclusão na lista de exceção, além de mencionar a atuação conjunta com associações congêneres no mercado norte-americano.
O café foi incluído na lista de isenções da tarifa adicional de 25%, decisão comemorada pelas entidades do setor. O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, Marcos Matos, afirmou que foram realizadas centenas de reuniões para evitar as tarifas e que o trabalho trouxe resultados concretos. O mercado de café brasileiro nos Estados Unidos representa entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões.
Outro produto que ficou isento das tarifas foi o mel orgânico. O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel, Renato Azevedo, ressaltou a importância de manter a estratégia de diversificação de mercado, apesar da notícia positiva, e mencionou a imprevisibilidade do cenário.
A exclusão dos quartzitos brasileiros da taxação foi comemorada pela Associação Brasileira de Rochas Naturais. No entanto, a entidade lembrou que mármores, granitos e ardósias ainda podem ser tarifados, o que pode prejudicar pequenas e médias empresas. Apesar de os Estados Unidos serem o principal destino das rochas brasileiras, mais da metade das exportações, a relação está em queda. No primeiro semestre, o comércio encolheu 14,4%, principalmente devido às tarifas.
Fonte: D24AM