Takhi: O Cavalo Selvagem que Renascem na Mongólia
No Parque Nacional Hustai, na Mongólia, 354 cavalos selvagens takhi vivem livres após um projeto de restauração. A espécie, extinta na natureza por quase 30 anos, é um símbolo nacional.

No Parque Nacional Hustai, localizado na Mongólia, atualmente existem 354 cavalos selvagens da raça takhi, que correm livres pelas estepes e morros da região. Esses animais, conhecidos também como cavalo-de-Przewalski, estavam extintos na natureza por quase três décadas, mas um esforço conjunto de pesquisadores locais e internacionais possibilitou seu retorno ao habitat natural.
O takhi é um dos principais símbolos culturais da Mongólia, aparecendo em roupas, brinquedos de pelúcia e até mesmo em murais e marcas comerciais. Para o diretor do parque, Dashpurev Tserendeleg, trazê-los de volta ao país representa uma restaurada fonte de orgulho nacional. “Takhi significa respeito e adoração. Fala do espírito livre e da resistência. São animais muito especiais para os mongóis”, afirmou Tserendeleg em entrevista à Agência Brasil.
O nome cavalo-de-Przewalski foi dado em homenagem ao explorador russo Nikolai Przhevalsky, que enviou espécimes encontrados na Ásia Central para cientistas europeus no final do século XIX. É importante destacar que o takhi é considerado o único cavalo verdadeiramente selvagem que ainda existe, diferindo geneticamente de cavalos domesticados, possuindo 66 cromossomos, enquanto os cavalos domésticos têm 64.
O interesse internacional pelo takhi cresceu rapidamente após sua descoberta, resultando na captura de 88 exemplares entre 1897 e 1903, dos quais apenas 12 conseguiram deixar descendentes. A espécie foi oficialmente declarada extinta na natureza após o último avistamento em 1968. Em resposta a essa situação crítica, conservacionistas holandeses iniciaram, na década de 1970, um programa de reprodução em cativeiro para aumentar a população.
Em 5 de junho de 1992, 15 cavalos foram reintroduzidos na Mongólia, iniciando um projeto que culminou na liberação de 84 animais até 2000. A adaptação desses animais, provenientes de climas mais amenos, foi essencial para sua sobrevivência. Hoje, além dos 354 takhis em Hustai, existem duas populações reintroduzidas em outras áreas protegidas, totalizando cerca de 800 indivíduos no país. O sucesso dessa reintrodução demonstra a importância da cooperação internacional na preservação de espécies ameaçadas.
Fonte: D24AM