Desigualdade de Gênero Aumenta nos Parlamentos da Amazônia
Mulheres continuam sub-representadas nas assembleias legislativas da Amazônia, refletindo um problema histórico de desigualdade de gênero. Situação é crítica em estados como Acre e Amazonas.

MANAUS – Apesar de serem a maioria na população dos estados amazônicos, as mulheres ainda não conseguem ocupar um número proporcional de cadeiras nas assembleias legislativas. A partir dos resultados das eleições de 2026, a formação das bancadas para os próximos quatro anos evidencia um problema histórico: a desigualdade de gênero, que é um fator social crucial para a representação e os interesses na política.
Atualmente, a representatividade feminina nas assembleias não chega a 30%, e três casas legislativas da Amazônia terão uma redução significativa no número de mulheres em 2027. O caso mais alarmante é o do Acre, onde a quantidade de mulheres no parlamento cairá de três para zero, resultando em um legislativo totalmente masculino, com todas as 24 cadeiras ocupadas por homens.
No Amazonas, a situação também é preocupante, pois o número de mulheres na assembleia passará de cinco para apenas duas, o que representa apenas 8,3% de representação feminina. Rondônia segue a mesma tendência de queda, com a representação feminina caindo de 20,8% para 12,5% em 2027, o que se traduz em apenas três mulheres no parlamento.
Nos estados do Amapá, Tocantins e Maranhão, os números permanecem inalterados, com seis, três e doze cadeiras ocupadas por mulheres, respectivamente. Esses números ainda são considerados baixos, especialmente quando se considera a luta histórica das mulheres por mais espaço nas decisões políticas e a necessidade de discutir pautas que defendam os interesses femininos na esfera pública.
A cientista social Paula Ramos, professora da Ufam, destaca que as estruturas patriarcais nos espaços de poder dificultam a aprovação de leis que atendam às demandas femininas. Ela aponta que a presença feminina no legislativo muitas vezes está ligada a trajetórias políticas de homens e que, mesmo quando mulheres conseguem se eleger, suas propostas podem não refletir os interesses coletivos das mulheres. A realidade é que, em um país onde quase metade da população é feminina, a exclusão delas das decisões políticas é um sinal claro de retrocesso e descompasso com a realidade social.
Fonte: Amazonas Atual